
Por Bragança de Pina
No Brasil há de tudo, inclusive debates que não são debates. O confronto entre os candidatos a presidente, que, propositalmente, não assisti, é a prova. Os sites noticiosos comentaram as trocas de farpas entre ambos. É assim, com um chamando o outro de ladrão e o outro retribuindo o adjetivo. As cores são diferentes, mas o ofício, tão corriqueiro entre as vossas excelências, é o mesmo. E, em casa, diante da TV, parte da população se diverte e a outra, corroída pela dúvida, questiona: em quem votar, no sujo ou no mal-lavado?
Luiz Bragança de Pina é escritor, articulista, professor e mentor de roteiro cinematográfico.















2 comentários
José Prestes
Essa tese de que os dois candidatos são ladrões atende perfeitamente aos interesses do candidato da direita na tentativa de conquistar os votos do setor dos eleitores indecisos. A direita espera que o indeciso pense assim: “Se os dois são ladrões, vou votar pra mudar alguma coisa”. O problema é que esse eleitor pode não parecer que está interessado em pesquisar os fatos que justificam essa acusação. Desde a Lava Jato, comandada pelo juiz que virou ministro de Jair Bolsonaro, a direita carimba em Lula a pecha de ladrão. Mas isso nunca foi provado nem mesmo pelo juiz direitista. Tanto isso é verdade que ele condenou Lula por “ato de ofício indeterminado”, isto é, sem provas. Quanto a Flávio Bolsonaro, as provas de enriquecimento ilícito através de “rachadinha” e a compra de 16 imóveis com R$ 3 milhões em dinheiro vivo (não conheço uma única pessoa honesta que tenha comprado qualquer imóvel com um saco de dinheiro em espécie) são provas cabais de que sua ficha é bem suja, só falta ser carimbada por uma justiça parcial e morosa.
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