
Por Almir Escatambulo
Olha, vamos deixar de lado o histerismo dos algoritmos e abrir o capô dessa máquina chamada Assistência Social. Para a extrema-direita, que se alimenta de teorias conspiratórias e planilhas falsas no Telegram, o sistema social brasileiro é uma espécie de buraco negro financeiro que financia a indolência. É o puro suco da ignorância gourmet. Eles adoram gritar contra o “Estado assistencialista”, mas se borram de medo de entender como funciona a engrenagem técnica que impede este país de explodir em uma convulsão civil.
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Vamos desenhar, de forma quase pedagógica, para ver se a miopia ideológica cede lugar à realidade dos fatos. O que esses cruzados da ignorância chamam de “esmola” é, na verdade, o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), um modelo de gestão descentralizado e participativo que divide as ações em duas grandes frentes técnicas. Não há achismo aqui; há engenharia social e legal.
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A primeira linha de defesa é a Proteção Social Básica. Ela serve para prevenir a ruptura de vínculos e a violência antes que elas aconteçam. O quartel-general dessa fase é o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). É ali que se aplica o PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família). O que o CRAS faz não é distribuir cesta básica de forma aleatória, como pensa o tio do WhatsApp. O CRAS faz a busca ativa de famílias em vulnerabilidade extrema, oferece o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) para tirar crianças e idosos do isolamento, e encaminha jovens para qualificação profissional. É a prevenção técnica da barbárie.
Mas a realidade brasileira é brutal, e quando a prevenção falha, entra em cena a Proteção Social Especial. Aqui o buraco é mais embaixo, e o jogo fica pesado. Dividida em Média e Alta Complexidade, ela é operada principalmente no CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).
No CREAS, lida-se com o PAEFI (Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos). Estamos falando de atendimento técnico a crianças abusadas sexualmente, idosos espancados dentro de casa por parentes gananciosos e mulheres marcadas pela violência doméstica. Na Alta Complexidade, o SUAS mantém os Serviços de Acolhimento Institucional — abrigos, casas-lares e repúblicas para quem perdeu tudo, inclusive o teto, como a população em situação de rua, que a extrema-direita adora fingir que é apenas um detalhe estético na paisagem urbana.
E para amarrar tudo isso, a maior fake news da década: o financiamento. O rebanho digital jura que os bilhões do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) são distribuídos sem critério para quem “não quer fazer nada”. Mentira deslavada. Existe um cérebro eletrônico por trás disso chamado CadÚnico (Cadastro Único). É uma base de dados analítica, interligada, que exige condicionalidades rigorosas: frequência escolar mínima de 85% e calendário de vacinação atualizado. O BPC, por sua vez, não é aposentadoria; é uma garantia constitucional de um salário mínimo para idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem não ter meios de prover a própria subsistência.
Toda essa estrutura não é um favor de governantes benevolentes ou uma conspiração marxista. É uma política pública financiada por fundos específicos (municipais, estaduais e federais), fiscalizada por conselhos paritários com a participação da sociedade civil. O SUAS é uma engrenagem científica de sobrevivência. Enquanto a extrema-direita baba teorias sobre a meritocracia em condomínios fechados, a Assistência Social limpa o sangue, o suor e as lágrimas de um Brasil que eles insistem em empurrar para debaixo do tapete.
Almir Escatambulo é Cientista Social e colaborador do Portal
*Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião do Portal















2 comentários
José Lito
A Mar e Sol ainda é a secretária?
Denúncia (nos ajudem)
Na gestão Tiago Amaral, multiplicam-se as reclamações de mulheres assistidas pela Lei Maria da Penha sobre o atendimento precário em Londrina.
As denúncias já teriam chegado ao gabinete, a vereadores e à Corregedoria do município, além do Ministério Público.
Quantas denúncias mais serão necessárias para que a Prefeitura tome providências?
Quando se trata de mulheres que precisam de proteção, omissão e descaso não podem ser tratados como normalidade.