Por Israel Marazaki
Quem acompanha o debate público sabe que a verdade orçamentária não aceita maquiagem. Em 9 de outubro de 2025, durante minha participação no podcast Ponto de Vista, fiz um alerta claro: o orçamento municipal em discussão na Câmara de Vereadores estava inflado em pelo menos R$ 300 milhões, e as receitas previstas não se realizariam.
Mas o que poucos sabem é que a minha tentativa de evitar esse desastre começou antes. Em 5 de agosto de 2025, estive pessoalmente com o prefeito. Olhando em seus olhos, alertei sobre o caos financeiro iminente caso ele não buscasse uma compensação imediata para a perda de arrecadação gerada pelo corte do IPVA promovido pelo Governo do Estado. A resposta que ouvi — “NÃO ACREDITO EM AUMENTO DE IMPOSTOS” — foi bonita como uma malagueta madura enfeitando um prato de risoto. Admirá-la, sim! Consumi-la…? Tiago ainda acrescentou que havia espaço para manobrar outras fontes. Pois bem, hoje nós sabemos exatamente o que o prefeito quis dizer com “manobrar verbas”. Onde havia um fundo houve também um desvio de finalidade. Uns por conta própria, outros com leniência de nossa elite legislativa. Infelizmente, o tempo me deu razão e revelou uma gestão fiscal desesperada.
As declarações recentes da administração, a fiscalização da Câmara e as investigações da imprensa local desenham o cenário caótico e as manobras controversas que antecipei:
O tamanho do rombo real: A Prefeitura de Londrina veio a público admitir um desequilíbrio fiscal que resultou em um déficit projetado de R$ 205 milhões, puxado por uma frustração de receitas de R$ 124 milhões. O impacto do corte do IPVA cobrou o seu preço exato: R$ 90 milhões a menos nos cofres da cidade.
O ataque ao Fundo do Meio Ambiente: Para tentar cobrir o buraco, a prefeitura drenou cerca de R$ 20 milhões do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA) para pagar despesas correntes, como contas de luz e merenda. Uma manobra que fez o saldo do fundo despencar 47% e que foi classificada como ilegal pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por evidente desvio de finalidade.
Secando a Previdência dos Servidores: Como a matemática não fecha, o Executivo correu para aprovar na Câmara o Projeto de Lei nº 346/2025, reduzindo os aportes e repasses do município para a previdência dos servidores (CAAPSML). Em vez de proteger o futuro do funcionalismo, usaram o caixa do fundo para aliviar as despesas do presente.
A manobra barrada no ITBI: Não satisfeitos em raspar o fundo do Meio Ambiente e mexer na Previdência, tentaram ainda articular projetos para utilizar recursos das contas do ITBI, uma tentativa de obter fôlego financeiro que acabou não passando pelo crivo e pela aprovação dos vereadores.
Dizer “eu avisei” não me traz nenhuma satisfação. Ver Londrina paralisada, com o custeio municipal sufocando mais de 95% de toda a arrecadação, cortes de horas extras na educação e reestruturação forçada do transporte coletivo é um prejuízo direto para o cidadão londrinense.
(…) A irresponsabilidade fiscal mascarada de “manobra de verbas” cobrou o seu preço. O orçamento público exige técnica, realismo e coragem — virtudes que faltaram quando o alerta foi dado em agosto e outubro de 2025. Tentar culpar a gestão passada pelas escolhas do presente, montando apresentações em PowerPoint para apontar que o ex-prefeito era gastão, como se tivessem descoberto Eureka, não irá resolver a realidade que bate à porta do cidadão/servidor hoje.
Israel Marazaki é empresário e articulista.
*Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião deste Portal















7 comentários
Galo Cego
Esse Tiago Matagal é uma piada…
Flávio Musso
Agora é hora do prefeito mostrar quem manda na cidade. Ele nunca escondeu que é da direita, ele teve apoio maciço da extrema direita. E os eleitores do prefeito vão aprovar políticas neoliberais que ele adotar em seu governo. Por isso, prefeito, fique tranquilo, a população londrinense vai apoiá-lo no corte de mais de R$ 200 milhões no orçamento. Se não tem dinheiro, não tem de gastar. Pode fazer esse corte à vontade, nós garantimos. Tira um tanto da saúde, outro tanto da educação, tira um tiquinho da comunicação, tira um tanto da folha de pagamento, manda pra casa uns infiltrados comunistas em cargos de confiança. Quem reclamar é eleitor da esquerda. Nem precisa dar bola pra eles.
Gustavo Cazé Rucha
Sergio Moro ouviu o Posto Ipiranga do Jair Bolsonaro e trouxe a frentista do Posto Rodoil?
Nova Secretária é uma coach ipiranguista parecendo o Fabrício Bianchi, coach sebraelino que só cai nos cargos.
https://www.instagram.com/reel/DeuBaFnAcEI/?cplk=bGZpNzg4enRzcDh2
Jordão Bruno
É o futuro governador virando pau-mandado do ex-ministro Paulo Guedes e da eminência parda (Dani Marques) da outra eminência parda, que é o candidato a presidente controlado por Valdemar Costa Neto. É o Paraná cada vez mais perto da economia da Argentina.
Não é possível tamanha desfaçatez
O estilo Jessicão tomou conta dessa banda de mulheres que peitam o ambiente?
É assim que o Paraná será – decididas e resolutas.
As frentistas do Posto –
https://angelorigon.com.br/2026/10/20/nao-sou-boazinha-nao-sou-o-capeta-em-forma-de-gente/
Terra
O Tiago Amaral vai convidar esse professor do professor de Deus pra secretaria da Fazenda.
Cada uma….
Buia
Avisou o que Don Israel?
Nem sabe ler o Orçamento.
Vai se candidatar a vereador ou se inscrever nos Conselhos Locais de Saúde.
Engenheiro de Barraca de Camping tem bastante.