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Cláudio Osti

Concessão da Rodoviária de Londrina – Um Escândalo com Dinheiro Público

9 comentários

Por Fábio Theóphilo

A questão não é se é de direita, de esquerda, de centro, de ideologia partidária ou política. É notório que o particular é mais eficiente que o público. Não é esse o debate.
O ponto é a FORMA como a concessão é feita.
Há a informação que, além de conceder a rodoviária para uma empresa privada administrar, a Prefeitura de Londrina ainda pagaria um valor mensal “x” para essa empresa.
Um escândalo!

Explico.
Vamos aos números. A taxa de embarque na rodoviária de Londrina é de R$7,10 e o número de passageiros que embarcam chega a 2,7 milhões de passageiros por ano, um pouco mais, um pouco menos.
Noves fora, são R$19,17 milhões de reais por ano ou R$1,59 milhão de reais por mês de receita só com a taxa de embarque cobrada de quem usa a rodoviária. Acrescente-se a esse valor o estacionamento, o aluguel dos boxes para as lojas que existem na rodoviária, o aluguel dos slots para as empresas de ônibus, taxas cobradas dos taxistas, dentre outras fontes de receita (até o uso do banheiro é cobrado!)
Onde está a OAB, o Ministério Público Estadual, o Observatório de Gestão Pública de Londrina – OGPL e os vereadores, estes que possuem como missão fundamental fiscalizar as receitas e despesas públicas?
Aliás, fica a sugestão para a criação de uma Comissão Especial de Inquérito – CEI pela Câmara de Vereadores para apurar o que o Presidente do Terminal Rodoviário de Londrina – TRL faz com R$1,6 milhão de reais por mês!
Será que para manter a rodoviária de Londrina demanda R$1,6 milhão de reais por mês? Será que uma equipe de jardineiros, de manutenção e de limpeza, mais conta de luz, água e telefone custa tudo isso por mês? Para onde vai essa dinheirama toda? Ah, tem o “cabidão”, as “boquinhas”, os comissionados apaniguados e quem sabe, até fantasmas!
E ainda a Prefeitura fala em pseudo-estudos para conceder a rodoviária e ainda dar dinheiro para o concessionário! Esse “filme” é antigo, essa trama bem conhecida.
Entrando ano, saindo ano, virá a concessionária pedir o famoso reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e mais grana pública vai jorrar nos cofres da empresa privada.
Nome bonito e pomposo, que quer dizer que a empresa, sempre através de maquiagem contábil (essa é a técnica) demonstrará prejuízo e precisará de mais dinheiro para fazer a manutenção da rodoviária, mais o reajuste anual do repasse público que deverá constar no contrato de concessão, tal qual o nefasto pedágio.
Essa prática, destaco, é campo fértil e vasto para corrupção.
Isso, “refrescando” a memória da população, aconteceu no transporte coletivo, quando essa mesma Prefeitura injetou R$20 milhões de reais no “duopólio” TCGL e Londrisul.
Se é para conceder, que a empresa assuma e, com essa arrecadação, mantenha em boas condições a rodoviária e, que o executivo fiscalize a manutenção e a taxa cobrada, o que raramente acontece por pura conveniência das partes e desinteresse, essa é a verdade que precisa ser dita.
Se for para pagar uma empresa para administrar, que se mantenham o “cabidão” e as “boquinhas” do TRL pois empatando no fim do mês (receita menos despesa = zero reais) ainda será mais vantajoso do que a Prefeitura colocar o suado dinheiro do contribuinte, já esfolado e pisoteado pela carga tributária insana.
E, mesmo sem o recurso público, esse ainda é um baita negócio, diga-se de passagem.
Quantas empresas em Londrina possuem uma receita de R$1,6 milhão de reais por mês?
Se algum empresário/empreendedor quiser assumir a Rodoviária de Londrina, procure o Prefeito de Londrina e, em especial, Fabio Cavazotti, ex-presidente do Observatório de Gestão Pública de Londrina – OGPL que foi extraordinário, excelente como “pedra”, mas que como “vidraça” nem se envergonha de uma proposta absurda dessa, de pagar para um particular administrar a rodoviária, esta que já possui receita de sobra para ser gerida. Falta que cobremos lisura, transparência e eficiência na gestão, o que de forma clara, não acontece.

FABIO THEOPHILO, advogado formado pela UEL, Mestre em Direito pela Western University no Canada e ex-Presidente do Conselho Municipal de Trânsito

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9 comentários

  • Levante os custos para manutenção da rodoviária e seus reparos e veja se vale a pena para o administrador da concessionária que assumir. Levante melhores as informações.

  • Sebastião Macedo

    Assim como aconteceu com o patrimônio do Londrina Esporte Clube. O lucro é privado e o prejuízo é público. Pergunte-se o que aconteceu com o investimento do torcedor dos anos 80 através das ações remidas, que nunca receberam um comunicado de que tais ações não valem mais nada.

  • O prefeito foi eleito para escolher a melhor opção para o usuário do serviço, para a administração pública (Anos atrás, por exemplo, o prefeito avaliou que a prefeitura não teria um departamento competente para trocar lâmpadas dos postes e montou uma empresa para prestar esse serviço.) e para o contribuinte. Se pensar em administração pública, nesse caso, quem sabe uma autarquia já que ela seria isenta de recolher pesados impostos. Se for entregar o serviço ao setor privado (que não é formado por abnegados empresários a serviço da comunidade), que se definam as características dos serviços a serem prestados e contrata-se aquela que oferecer a menor margem de lucro. A prefeitura não precisará pôr dinheiro nem precisará recolher dinheiro (por aqui o IPTU já está enchendo os cofres do município) e o usuário pagará pouca e justa tarifa para usar o terminal.

  • Acho muito válido esse tipo de discussão, mas especialmente quando se tem conhecimento do assunto que está sendo abordado! Do contrário é irresponsável e sensacionalista esse tipo de notícia! Como já disseram a empresa que pagará contrapartida ao Município!

  • Na realidade será a empresa que pagará ao município contrapartidas mensais, além de promover melhorias significativas na infraestrutura do TRL. Confirme suas informações, você está equivocado.

  • Ivone Junqueira

    Me preocupa muito os promotores com altos salários pra fiscalizar e nada fazem sobre isso e outras coisas.

  • José Maria

    Amigo, a sua verdade está fora do debate? Por que sua crença no dogma de que “é notório que o particular é mais eficiente que o público” não pode ser debatido? No contexto, realmente sua afirmação mais parece provocação do que argumento. O que o senhor quer é marcar posição. Assim fica difícil a discussão avançar mas não retiro a importância do tema que o senhor aborda. Acredito que a oposição particular (serviços privados, presumo) versus público (serviços públicos, presumo) não tem grande importância a não ser para discussão acadêmica ou de especialistas. Por exemplo: o governo Bolsonaro achou que a Petrobras (empresa majoritariamente pública) não tinha competência para administrar a Refinaria Landulpho Alves e decidiu entregá-la ao setor privado. Quem a comprou? Um grupo árabe chamado Mubadala. E quem controla o Mubadala? O governo de Abu Dhabi! A Riam foi privatizada, e o lucro agora vai para os habitantes de Abu Dhabi.

  • Os olhares de desconfiança começaram a ver atual administração. Talvez o alcaide confiou demais em alguns. Tomara que a história do Tio não se repita.

  • Precisa verificar também caso de nepotismo e farra nos volumosos salários e Conselhos da nova Companhia criada por Marcelo Belinati.

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