por Israel Marazaki
A verdade é que, na reta final, ninguém consegue cravar o resultado. Mas, analisando as pesquisas, fica difícil não notar: quem mais tem absorvido os votos dos candidatos derrotados é o atual mandatário.
O eleitorado que buscava “mudança” se pulverizou no primeiro turno, deixando minguados 2% para cada um dos nomes alternativos. Curiosamente, esses mesmos 2% reaparecem agora como a exata distância entre o primeiro e o segundo colocado.
A esquerda deve ter levado um susto daqueles no primeiro turno. Nos últimos dias, mudaram a estratégia da água para o vinho. Tomaram as redes, subiram o tom, fizeram o “L”, resgataram a camisa canarinho e ocuparam as ruas em manifestações lotadas por todo o Brasil.
Enquanto isso, a direita segue num silêncio sepulcral.
O engajamento nas redes evaporou — salvo raras exceções parlamentares — e as carreatas não lembram em nada a opulência do passado. Mesmo em redutos historicamente bolsonaristas, como Londrina, o clima é de calmaria. É quase como se tivesse virado motivo de vergonha admitir publicamente o voto em Flávio.
Pobre direitista, anda perdido.
Usurparam dele até o principal mantra, aquele orgulho de encher o peito para dizer que “não vota em ladrão”. O que restou foi o “veja bem…”. E, convenhamos, quando o voto precisa de manual de instruções e muita explicação, é porque a lista de desculpas já passou do limite.
Até o Pablo Marçal, em uma aparição cirúrgica, soltou que não se deve atacar o homem que mais construiu universidades no Brasil. Ôxi… Estranhei. Está jogando em qual posição afinal?
Mas o que realmente me preocupa é o absolutismo. E disso eu entendo — afinal de contas, sou monarquista.
O absolutismo ficou famoso pelo rolar de cabeças inocentes, decepadas pelo crime de ousar discordar ou simplesmente questionar. Flávio eleito, blindado por um Congresso extremamente alinhado à direita e com o bônus de indicar mais quatro ministros ao STF, seria poder demais concentrado em mãos de índole extremamente duvidosa.
Cheguei a cogitar que o eleitor brasileiro tinha inventado uma bizarrice inédita na ciência política: a República Absolutista. Aí me lembrei que a Coreia do Norte patenteou o modelo primeiro.
Longe de mim fazer campanha para o PT. Já avisei e repito: meu voto é do Palmeiras. Branco e verde.
O que escrevo aqui é só um lamento. Um desabafo sincero, daqueles feitos logo cedo, antes de escovar os dentes.
Por outro lado, Lula também não terá vida fácil. Se eleito, pegará um Congresso hostil e terá de pilotar um carro com as quatro rodas travadas.
E talvez seja esse o retrato mais fiel e tragicômico desta eleição: de um lado, o risco do poder absoluto; do outro, a garantia da paralisia política com um Congresso que joga contra.
No fim das contas, restou ao brasileiro escolher qual o tamanho do problema que quer carregar. Eu, particularmente, preferi o terceiro caminho.
Dá-lhe, Palmeiras.
Israel Marazaki é empresário e articulista convidado do Portal
*Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do Portal, portanto, Vamos pra Cima Tubarão!!!















5 comentários
Zezinho da Silva
Pode não dar pra cravar o resultado eleitoral de domingo. No entanto vai dar pra cravar o futuro do Brasil se Flávio Bolsonaro for eleito: nosso país virará o paraíso da putaria, da jogatina e do crime organizado. Com Flávio Bolsonaro presidente, não existirá mais a obrigatoriedade de identificação e rastreabilidade em cartuchos e munições. Isso é mamão com açúcar para o crime organizado e música para os ouvidos de milicianos e de matadores de aluguel.
Chavão, Matheus Thum e Jessicão
Papo FURADO
Chavão, Matheus Thum e Jessicão já estavam na Câmara no mandato passado e agora vêm com a criação de mais uma comissão para fiscalizar as contas e o patrimônio público de Londrina, com prazo de até 270 dias. Será que faltou tempo para fiscalizar antes ou faltam resultados das comissões que já existem? Fiscalizar é obrigação dos vereadores, não precisa criar mais uma estrutura para fazer o que já deveriam estar fazendo. A população quer respostas, transparência e responsáveis, não mais reuniões e burocracia. Menos comissões e mais trabalho. Londrina precisa de fiscalização de verdade e resultados concretos.
Stolas Goetia
O empate técnico entre Lula e Flávio nas pesquisas, ao meu ver, é uma combinação de dois fatores: primeiro, o mandato do Lula foi bem medíocre, e isso foi agravado pela expectativa que o PT fomentou na campanha de 2022; de que Lula voltaria, traria de volta a bonança de seus dois mandatos diretos e o povo comeria picanha. O segundo é a força do anti-petismo, quiçá anti-Lulismo. Politicamente Flávio é medíocre, ele está quase gabaritando o código penal e só não está sendo totalmente esculachado pelo Lula porque o Lula já tem oitenta anos e por mais que ele tenha uma bagagem infinitamente maior em quantidade e qualidade, ele está lento e não passa a vitalidade de outrora.
As pessoas que vão votar no Flávio ou ficam quietas, ou no máximo respondem com algo na linha do “é, ele é um merda, mas é ou ele ou mais um mandato do Lula e 20 anos dele já deu.”
Beto Preto
Londrina deu cerca de 2.500 votos para Beto Preto, deputado federal em 2026.
Já Apucarana, sua terra natal, recebe destaque com os R$ 650 milhões em investimentos da Sanepar.
Pelo jeito, o voto de Londrina serve, mas os investimentos ficam em Apucarana.
Quando vamos aprender que, na hora de votar, somos lembrados, mas na hora de retribuir, esquecidos.
Coisa do Beto Preto
Enquanto Apucarana recebe mais de R$ 650 milhões para garantir o abastecimento de água, Londrina, apesar de ser o segundo maior contrato da Sanepar, fica de fora.
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